segunda-feira, 17 de julho de 2017

Religiões


A verdade é que não sei que problemas, dos muitos que nos afligem, se solucionariam com o desaparecimento das religiões. (...) Se existem umas dez mil religiões, às quais pertence 90% da humanidade, é, creio, porque nelas abunda mais o positivo que o negativo. Dizia R. Otto que nenhuma religião deveria desaparecer antes de ter dado o melhor de si mesma. E nisso estamos: nenhuma religião deu, ainda, o melhor de si mesma. (...)
As religiões são comunidades narrativas de acolhimento que ajudam a viver e a morrer digna e esperançadamente os seus membros. São projectos de sentido em um mundo no qual ele escasseia; assinalam limites que não deviam ser transgredidos e metas que deviam alcançar-se. As grandes religiões, as milenárias, chegaram a formar um todo com as culturas nas quais se encarnam. A Índia, por exemplo, não seria a Índia sem o budismo e o hinduísmo. De aí que tenham fracassado as tentativas de suprimir as religiões

Manuel Fraijó, Avatares de la creencia in Dios, Trotta, 2016, pp.78-79 [tradução minha]

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