sexta-feira, 28 de julho de 2017

Transformadores na Cultura


Ainda por cima, a herança era fraca, o mais interessante vinha já do tempo da Teresa Patrício Gouveia, o que eu, apesar de alguns amigos socialistas não gostarem, fiz sempre questão de lembrar. Deve-se a ela o lançamento da rede de bibliotecas, deve-se a ela a compra de Serralves. Fomos nós que fizemos o museu, mas foi dela a ideia, como foi ela que protegeu aquele espaço no centro da cidade.

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Em relação a esse tempo [como Ministro da Cultura], tive grandes cúmplices, devo confessá-lo, sem os quais tudo teria sido muito diferente, e certamente mais difícil. Antes de mais, tive um cúmplice de excepção no Prof. Sousa Franco, que era o ministro das Finanças e que tinha uma grande compreensão pelo novo papel da cultura, mas também pelo modo como nós trabalhávamos. Dou-lhe um exemplo: em 1997, pegando na herança da Teresa Gouveia das bibliotecas municipais, havia já umas 30 ou 40. Apresentei um plano para que todo o país, todos os municípios tivessem bibliotecas. A aposta era fazer a cobertura integral do país, de modo que todos os concelhos tivessem uma biblioteca (...) Eu lembro-me, e guardo isso com satisfação, de o Prof. Sousa Franco dar esse projecto como exemplo ao Conselho: fundamentado e orçamentado. O apoio dele também foi decisivo na parte final do Museu de Serralves...

Manuel Maria Carrilho, entrevistado por José Jorge Letria, no livro Ser contemporâneo do seu tempo, Guerra e Paz, Lisboa, 2017, pp. 82.

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