sábado, 28 de outubro de 2017

Francisco e a política



*E Dominique Wolton, o entrevistador de Francisco, em entrevista ao DNHá um mistério da Igreja. Se fizermos uma análise de sociologia política clássica, a Igreja é um aparelho de poder. Mas isso não explica porque é que dura há 2000 anos. Com tão pouco homens, tantos massacres e tantos erros. Por isso é preciso procurar outros mecanismos explicativos. A Igreja não hesitou, no último século, em eleger Papas totalmente anticonformistas. Os cardeais não conheciam bem Jorge Bergoglio, mas rapidamente o nomearam Papa. (...) É muito político, mas é preciso explicar que a sua política vem em primeiro lugar da espiritualidade. É sua visão do mundo, através dos Evangelhos, que lhe dá um sentimento de ira, de revolta e de condenação dos ricos, dos poderosos. E a atenção aos pobres, aos excluídos. (...) Ou melhor, acha que os ricos têm de cumprir o seu dever: dar, dar, dar. Mas voltando à pergunta: sim, acho que Francisco veio no momento certo. É aí que reside o génio da Igreja Católica. João Paulo II acabou com o comunismo. Francisco veio pôr todos os contadores a zero. Há uma capacidade nesta instituição antiquada, burocrática, fechada, para surpreender.

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