Estudo de Teresa
Bago d’Uva e Marli Fernandes
sobre a mobilidade social em Portugal, para a FFMS, publicado esta semana. Principais conclusões:
*Mobilidade
social em Portugal é mais baixa do que na média da UE;
*Houve
progresso e aproximação à média europeia, ao longo das últimas décadas;
*Mobilidade
intra-geracional (o mesmo indivíduo ao longo dos anos passa de um patamar de
rendimentos para outro?): também aqui uma mais fraca mobilidade em Portugal do
que na média europeia;
*Entre
2003 e 2013, uma tendência de maior mobilidade intrageracional em Portugal (e
alguma descida na UE);
*Em
1940, 84% de reprodução social (filhos, em 84%, com a mesma escolaridade que os
pais);
*As
alterações que mais se verificaram foi o aumento de escolaridade dos filhos de
pais com o ensino básico;
*Dos
anos 60 – onde a reprodução social ainda era muito próxima da década de 1940 -
em diante é que se verifica a tal mobilidade social: em 1970, já são 41% os
filhos a terem uma escolaridade superior à dos pais;
*Na
UE, os filhos nascidos em 1940, em 40% dos casos, iriam ultrapassar a
escolaridade dos pais;
*Na
Mobilidade em termos de Profissões, de pais para filhos, verifica-se que entre
os nascidos na década de 1940, em 64% dos casos, a categoria profissional era
semelhante à dos ascendentes; entre os nascidos em 1970, esse valor cai para
51%; passam a ter uma categoria profissional superior à dos pais, nessa data,
36%; Não há, neste caso (da análise profissional) a mesma alteração dramática
verificada para o caso da escolaridade;
*Ao
nível dos rendimentos, quanto mais o pai estudou, mais o filho ganha; em
Portugal, um filho de um pai com o ensino superior ganha, em média, mais 6700€
(ano) do que um filho de um pai com o ensino básico (mesmo entre os nascidos
depois de 1970);
*Na
mobilidade intra-geracional, entre 50 a 60% dos indivíduos mantém-se no mesmo
decil de rendimento de um ano para o outro (nos anos 1986-2009); os que muda de
decil, não vai muito longe (40-50%); ao longo dos anos, a este nível, menos
mobilidade social (ao longo dos anos, menos pessoas conseguem passar, na sua
vida, para um decil de rendimento maior, na sua carreira);
*Talvez
o maior canal de transmissão de pais para filhos sejam os recursos financeiros;
*Podemos
pensar nas aptidões inatas, competências adquiridas; saúde física e saúde
mental; contexto familiar: normas, expectativas, estímulos, apoios; ambiente
social, rede de contactos (na transmissão do estatuto sócio-económico);
*Possíveis
políticas públicas face a este contexto: o país ter um ensino público de
qualidade (que permita que quem vem de baixo possa ascender socialmente; as
ferramentas que não teve em casa, possa adquiri-las na escola); combate à
pobreza e exclusão social; combate ao desemprego de longa duração; orientação
escolar e profissional nas escolas; pré-escolar; políticas de habitação (que
promovam a integração em vez da segregação);
*Houve
maior mobilidade de pai para filha e menos de pai para filho.
Comentários
ao estudo de Carlos Farinha Rodrigues:
*Nos
últimos anos, com a crise económico-financeira, assistiu-se à inversão de
expectativas quanto ao bem-estar das novas gerações (face às gerações que as
precederam), como estando estas a caminho de uma vida pior, ao nível de
rendimento. Ainda não há dados, nesta altura, que validem esta hipótese;
*Relação
entre mobilidade social e desigualdade: quer a mobilidade inter-geracional,
quer a intra-geracional é bastante mais baixa do que na Europa, ao mesmo tempo
que o nosso país possui das taxas mais elevadas de desigualdade na Europa;
*O
estudo refere um papel equalizador à mobilidade; que relação entre níveis de
desigualdade e a mobilidade social na Europa?;
*
Relação entre mobilidade social e crescimento económico: até 2009, houve
efectivo crescimento económico. Entre 1993-2000, diminuição da mobilidade
intrageracional; entre 2003-2013 aumento. Era bom conhecer-se a relação entre o
tipo de crescimento e o tipo de mobilidade; em períodos de crescimento é mais
fácil haver mobilidade, ou o contrário?;
*No
passado recente em Portugal, há períodos em que a desigualdade familiar desce,
mas a desigualdade salarial sobe e períodos, recentes, em que se verifica o
oposto;
*Mobilidade
inter-geracional: uma abordagem exclusivamente económica é redutora; exige-se
uma abordagem multidisciplinar;
*Em
nenhuma parte do estudo, se avança com a questão legislativa sobre a
escolaridade obrigatória; o mesmo grau obtido, pode representar coisas
diferentes, ao nível do estatuto sócio-económico ao longo das décadas; a
questão, ainda, do forte decréscimo de actividades como a pesca (há aqui
factores estruturais – da estrutura do emprego – para além da mobilidade
social);
Só
considerar o pai – neste estudo – e não a mãe não levará a algum enviesamento
no estudo, perguntou-se da plateia?
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