Não deixar ninguém para trás
Digo isso no livro. E creio que estamos todos a aprender que é verdade. Não quero armar-me em profeta, mas é bastante óbvio o que está a acontecer. Se olhar para a história do século XX, ela ensina que a democracia no Ocidente nem sempre foi estável, longe disso. A ascensão do nacionalismo, do populismo, do racismo, do fascismo, das políticas extremistas foram mais a norma do que a vitória dos valores democráticos. E esta vitória está longe de estar assegurada. Se a história de 1917 nos ensina alguma coisa, é precisamente que temos de defender esses valores. Não apenas mantendo-os legal e moralmente, mas defendendo também novas ideias sobre a justiça social. Quando se deixa que demasiada gente fique para trás, se sinta como a perdedora da história, essa gente acaba por encontrar a salvação para o desespero nessas ideologias de violência, de extremismo, de movimentos revolucionários, venham eles da esquerda ou da direita Como é que, na era da globalização, se valorizam as ideias de justiça social é o verdadeiro desafio.
Orlando Figes, autor de
A tragédia de um povo, em entrevista a
Teresa de Sousa, no
Público. Aqui:
na íntegra.
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