sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O que decidirá o PSD? (IV)


Ontem, na Quadratura do Círculo, Lobo Xavier mostrava uma grande convicção relativamente a um repúdio, por parte de Paulo Rangel, da herança - de ser constituído herdeiro - do passismo, nas eleições internas do PSD. Como também aqui sublinhava, em post anterior, tal posição - a de Rangel ser constituído, por quem dominou nos últimos anos o aparelho do PSD, como delfim - para quem acompanha, com muito interesse, a vida política portuguesa, não deixava de ser um daqueles raros momentos de verdadeira surpresa (não propriamente positiva). Ao fim da manhã desta sexta, Rangel comunicou que não é candidato à liderança do PSD. Não deve ter sido fácil a escolha entre a possibilidade próxima do poder - os incentivos de uma parte considerável do PSD e de quem é tido como especialmente eficaz nos jogos de bastidores - e o perigo de ficar cativo/refém de sectores dos quais, estou em crer, Paulo Rangel não sentirá a afinidade que foi sugerida por estes dias (dilema que, evidentemente, é uma interpretação, entre outras possíveis, da motivação da escolha, definitiva, do eurodeputado perante os sufrágios internos). Se foi este o ponto - e em política, o que parece tende a ser lido como o que é -, a opção de Paulo Rangel é um momento de elevação, dignidade e despreendimento.

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