sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Sob o manto da indiferença (III)


Mas é inquietante e perverso que se não tenha ao menos cuidado em debater, por regra, a suspensão do anonimato na doação de gâmetas
O anonimato na doação de gâmetas, já então controverso em 2006 mas que alguns ainda toleravam, é hoje eticamente inaceitável, à luz de estudos e relatórios entretanto divulgados nos países europeus em que este fenómeno foi e é estudado e debatido.
E é lamentável que, mantendo-se a doação de gâmetas anónima, e por isso eticamente inaceitável, em Portugal, Espanha, França, Bélgica, tenha que vir a ser, não a Ética, mas a tecnologia de identificação de DNA, cada vez mais acessível, menos dispendiosa e, dentro em breve, prática quase corrente no domicílio e realizada até pelos próprios adolescentes - com a descoberta que algo «não encaixa» entre pais e filhos...- a anunciar o fim inelutável de tal anonimato.

Miguel Oliveira e Silva, Eutanásia, Suicídio ajudado, barrigas de aluguer, Caminho, 2017, pp.23-24

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