
Sob indiferença ou desatenção de tantos e de tantas, este estado de coisas conduz, nuns casos, à «última liberdade», pedido de morte antecipada. Noutros casos, fabricam-se crianças [nuns casos sem pai genético conhecido (doação anónima de sémen), sem progenitora conhecida («barriga de aluguer») ou com duas mães biológicas (inseminação anónima num par sáfico, em que uma mulher dá o óvulo, outra dá o útero e amamenta: «maternidade biológica partilhada»]. E, em desigualdade de direitos, não se lhes reconhece nem a dignidade nem os direitos humanos fundamentais - direito à identidade e à historicidade pessoal - que se exigem e atribuem aos adultos.
Miguel Oliveira e Silva, Presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (2009-2015), obstetra-ginecologista no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, Professor Catedrático de Ética Médica, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, em Eutanásia, suicídio ajudado, barrigas de aluguer, Caminho, 2017, p.22
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