sexta-feira, 24 de novembro de 2017

À lareira

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O seu doutoramento envolveu um trabalho de campo em Rio de Onor.

Uma aldeia onde tive o maior conhecimento sobre mim próprio, sobre o humano, sobre Portugal. Era um espaço rural, uma sociedade plena de trabalho, que produzia o seu tempo, o calendário. E foi o lugar onde provavelmente mais aprendi sobre o funcionamento de uma sociedade, dos indivíduos dentro dela, ou das relações com os envolventes, o poder ou o Estado
Mas também as vertentes mais íntimas, que se transmitem através dos sonhos, das histórias que se contam à lareira, toda essa esfera menos materializável e dita, por ser tão própria do viver de cada um. Quando chegamos a esse território da inutilidade estamos no âmago de uma sociedade. E que é tão essencial, na relação com o Outro, com o cosmos.

Joaquim Pais de Brito, entrevistado por Maria Leonor NunesJL nº1230, ano XXXVII, pp.23-26.

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