sábado, 4 de novembro de 2017

Champions


1.Embora ainda não seja uma liga fechada de jure, a Champions já o é de facto. Quando, há um ano, acorri ao Dragão, aos 1/8 final fui, literalmente, ver a Juventus. A distância é de tal ordem entre um top 8 e os demais que não se assiste a uma disputa de eliminatória (decidida à partida); neste instante, e provavelmente não por muito tempo, o que acontece é que ainda nos deixam jogar contra estas equipas, ainda podemos ir ao estádio ver os Pjanic, os Dybala, os Higuaín. Mas apenas.

2.É bom vermos o pundonor, a galhardia, a entrega, o esforço, a dedicação, a garra que permitem uma improvável vitória frente ao Leipzig. Mas, da minha parte, sou claro: gosto de ver esse reforço identitário - as marcas de água do meu clube, na amizade, solidariedade, entre-ajuda, comer a relva -, mas gostaria, ainda mais, que o recurso exclusivo a ele não tivesse demasiadas noites. Porque, ao mesmo tempo, ele significa que o FCP não pôde - como efectivamente não foi capaz - lutar em termos de qualidade de jogo - passe, recepção, intensidade, pressão, posse de bola, jogo ao primeiro toque - com o Leipzig. O problema, maior, é, pois, que o top 8 já se foi e não conseguimos disputar o jogo (jogar olhos nos olhos, ela por ela) com o Leipzig. Na distinção pertinente de Abel Ferreira, nós podemos disputar o resultado, mas não podemos disputar o jogo. [Ah, e sobre o Leipzig, magnífica a crónica em OJOGO, há quase duas semanas, de Álvaro Magalhães - o seu significado sobre o futebol e capitalismo actuais; as crónicas de Magalhães, juntamente com várias de Carlos Tê, aos Domingos, neste desportivo, mereceriam uma antologia, se aqui as coisas, as crónicas e o bem escrever sobre futebol não merecessem tratos de polé. Espero que o jornal tenha retorno da aposta que há muito fez nas edições de Domingo, com opinião extensa e de qualidade, além de muito plural].

3.Em OJogo, na TSF e na visão de João Rosado, Danilo Pereira foi o MVP, na última quarta-feira; para José Manuel Freitas, "fez um jogo horrível" e, no entender de José Calado, "nunca vi Danilo jogar tão mal". Recorde-se que estamos a falar do mesmo jogo (e jogador). Em realidade, quem viu as últimas duas épocas de Danilo - em que foi, de longe, o jogador mais valioso do campeonato; que clube médio-grande pretendeu Pizzi, no último defeso? -, só pode lamentar-se do grande médio não estar hoje a jogar metade do que vale. O que mais valoriza, se ainda tivermos em conta as lesões, a impressiva vitória deste meio de semana.

Sem comentários:

Enviar um comentário