sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Da identidade europeia


O Estado tem o monopólio da violência, através da polícia. Mas na cidade de Wuppertal, por exemplo, há uma polícia da sharia (...) Nos meus cinco anos na Universidade de Cornell, trabalhei num projecto chamado Religião numa Europa em Expansão. Argumentámos que a religião estava a desaparecer. Mas com as migrações está a voltar - mas não é o cristianismo, é o islão. Sabe quantos muçulmanos há na Europa? 30 milhões. Em 1950, eram 800 mil e, em 2000, 15 milhões. Em 2050, haverá 60 milhões. Se eles não se tornarem europeus, a Europa, está em perigo. Defendo a europeização do islão. A alternativa é a islamização da Europa. (...)
A Primavera Árabe aconteceu porque as pessoas estavam fartas. Houve uma explosão. Conseguiram depor Mubarak, Kadafi e por aí fora, no entanto não existia oposição democrática para preencher o vácuo. Mas os movimentos islamitas estavam organizados. (...)
Mas os jovens árabes [de terceira geração a viver na Alemanha] vão para a Al-Qaeda e o Estado Islâmico. Procuram uma identidade e a Al-Qaeda e o EI dão-lhe uma, o Estado alemão não.



Bassam Tibi, Os europeus não estão a defender os seus valores, entrevistado por Nuno Tiago Pinto, Sábado,  nº706, 9 a 15 de Novembro de 2017, pp.26-28. O autor é docente Universitário, muçulmano, deu aulas em Harvard, Professor Emérito de Relações Internacionais da Universidade de Göttingen, com vasta obra publicado no âmbito do estudo das religiões.

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