Nem só de causas benignas se faz a redução da desigualdade - maior educação, aumento da esperança média de vida com demandas sociais que implicam um Estado Social resiliente, forças sociais e políticas que apoiam essa perspectiva; ela socorre-se, por vezes, de causas malignas: guerras, pestes, epidemias. A guerra, por exemplo: exige um maior sacrifício financeiro, lançamento de impostos, tributando mais quem tem (e em caso de sistemas progressivos, com incremento de equidade), diminuindo a desigualdade; a guerra que ceifa vidas, diminui as disponibilidades de mão de obra, com esta a exigir ser melhor remunerada (melhores salários; se bem que não dissociado, este factor, das instituições: em sociedades feudais, mais controladas estas expectativas de subida de salário, em particular no Sul da Europa, ao contrário do Norte); guerra coloca em causa a propriedade - destrói-a - e isso acaba por redundar em sacrifícios para sectores da população mais abastados.
Branko Milanovic, em A desigualdade no mundo, estabelece, ainda, um claro nexo de causalidade entre a eclosão da Primeira Guerra Mundial e as enormes desigualdades internas, ao nível de rendimentos, em sociedades cujos dirigentes assinaram o deflagrar do conflito bélico.
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