quarta-feira, 15 de novembro de 2017

As revoluções nunca se anunciam


Não foi há muito que se realizaram as eleições em Angola. Houve uma grande unanimidade, entre os comentadores, quanto ao facto de o actual Presidente ser uma mera emanação do anterior, Eduardo dos Santos. Tudo seguiria, inevitavelmente, como dantes. 
Uma entrevista de Rafael Marques ao Expresso, há poucas semanas, despertou-me particular atenção: o jornalista referia que aquilo que João Lourenço estava a dizer era o mesmo que ele, Rafael Marques, tinha reivindicado durante anos. Indo até mais longe. Ainda assim, Marques adoptava, nessa entrevista, a reserva céptica do esperar para ver no teste do algodão: manter-se-iam, nos cargos em que estavam, os descendentes de Eduardo dos Santos? Não seria, entretanto, aniquilado Lourenço? Por ora, da Sonangol à televisão pública angolana, são dados passos que, pelo menos, contrariam o já escrito. As revoluções - será? - nunca se anunciam (e mesmo que nem sempre terminem em bem, como se tem visto).

Sem comentários:

Enviar um comentário