sexta-feira, 10 de novembro de 2017

NÃO HÁ VOLTA A DAR



Jesus Cristo, com as palavras que lhe são atribuídas nos quatro evangelhos, é a figura que mais me interessa. Continuo a achar que, independentemente de ele ter dito aquelas palavras ou não, elas são as coisas mais extraordinárias que foram ditas à face da terra. Por exemplo, quando leio para mim o Novo Testamento, estou num momento maravilhoso que é só meu e que me preenche muito, animicamente, espiritualmente. Apesar de ser um linguista crítico-histórico, não sou um ateu a traduzir a Bíblia. Serei sempre, até ao último segundo da minha vida, um apaixonado por esse judeu chamado Jesus de Nazaré. (...) Eu próprio leio todos os dias um bocadinho do Novo Testamento em grego, para mim. Aí, sem ter de explicar aquilo a ninguém, sem ter de traduzir, é completamente diferente de todos os outros textos. Os Evangelhos têm ainda hoje, em 2017, o potencial para mudar o mundo para radicalmente melhor. São textos que actuam em nós de uma forma extraordinária

(...)

Consegue conceber um mundo sem Deus?

Não, só se não existir nele nenhum ser humano.

Como dizia Voltaire, se Deus não existisse, teria de ser inventado?

Penso que sim. Essa dimensão divina foi e será sempre o grande objecto da intuição humana. Não há volta a dar


Frederico Lourenço, entrevistado por Filipa Melo, Ler nº147, Outono de 2017, pp.26-38

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