
A oralidade implica a proximidade física das pessoas, a sua descoberta. E tem um lado encantatório, desde logo porque tem a ver com a voz. E a voz é em si mesma outra categoria perturbadora e fascinante. Podemos, por exemplo, fazer uma reflexão sobre a História dos regimes autoritários e das democracias, se fizermos uma análise da voz, da forma como foi amplificada ou como foi usada e associada a determinadas expressões faciais, a certos gestos, por ditadores ou homens que querem seduzir a sua população ou por populistas. Não é por acaso que a questão da voz está sempre a saltar nas páginas do livro e não só quando falo do som. Mas no universo onde cresci, também salientaria outra questão: a curiosidade.
Joaquim Pais de Brito, entrevistado por Maria Leonor Nunes, JL nº1230, ano XXXVII, pp.23-26.
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