PISA
conceptualizado nos anos 1990, mas com primeiro
teste no ano 2000.
Visa
avaliar as competências dos alunos nos desafios da vida quotidiana. Avaliar alunos aos 15 anos – ancorado na idade e não no ano que os alunos
frequentam. Acabada a escolaridade obrigatória, o que os alunos sabem (?). Questionários
de contexto – o que se valoriza na sociedade. De três em três anos, roda o foco: Leitura, Matemática, Ciência. Há uma grande correlação entre as três
competências, nos resultados do PISA. Não vale a pena olhar para os domínios
separados.
Há
uma ideia de que o que o PISA avalia nada tem a ver com o resto. Mas não é
assim: há uma relação entre estes
resultados e aqueles que obtêm na escola.
O
Teste PISA chega à escola a seguir à Páscoa. Na última ronda, 72 países ou economias (Xangai)
participaram no estudo.
Portugal, neste
contexto, surge, ao nível dos resultados, parecido com França, Espanha e Luxemburgo.
A Suécia aproxima-se da Noruega, do Reino Unido e de Israel (o estudo da FFMS
não analisou/comparou Portugal com áreas culturais muito diversas deste, como
Ásia e América Latina).
O PISA tem como
objectivo a fasquia dos 500 pontos. Dentro da escala da
OCDE, considera-se que acima dos 500 pontos, o país está entre os melhores a
nível de Educação. Em 2000, Portugal
situava-se nos 450-460 pontos, o que era muito baixo. Gradualmente,
há uma subida. E, em 2015, Portugal
consegue situar-se acima da média da OCDE nas literacias de ciência e de
leitura, e ligeiramente abaixo, mas estatisticamente na média, na literacia a
matemática. Portugal, globalmente,
está na média ou acima da média da OCDE.
Em 2003, 2 a 3% eram
alunos de topo (de entre os alunos portugueses); em 2015, são 8%,
12% e 7% (alunos com nível 6 e 7). E os maus alunos diminuem. Estamos quase a
chegar aos níveis do (que pretende o programa) 2020. Todos os países têm problemas com estes alunos com
maiores dificuldades e só Portugal e Polónia diminuíram esse número de alunos - o que é o verdadeiro objectivo do sistema!
Portugal
gasta não muito mais, per capita, com Educação do que em 2003 (em 2015, 1300 dólares per capita), mas os resultados melhoraram substancialmente,
enquanto na Finlândia apesar do aumento dos gastos, nos últimos anos, os
resultados pioraram; mas, por outro lado, a Polónia gasta ainda menos do que
Portugal (não chega aos 1000 dólares).
O estatuto
sócio-económico em Portugal – o que tens em casa, bens materiais e imateriais – conta mesmo, e o que se verifica é que Portugal está ao nível da média dos restantes países
da OCDE. Os pais não têm é Educação (formação académica elevada). A desigualdade, apesar de tudo, tem vindo
a diminuir. Mas aqui
ainda estamos longe da OCDE.
Temos poucos livros em
casa. Poucas obras de arte. Poucas obras de poesia. Temos plasmas.
48% das mães, em
Portugal, de alunos que em 2015 fizeram o PISA, não tinham mais do que o 9ºano,
nem um emprego com qualificação. A probabilidade de um aluno chumbar, proveniente
de uma classe social baixa, é de 40%; apenas 12% de
classes sociais mais abastadas. Um ponto forte dos alunos portugueses é a
motivação: temos dos alunos mais motivados da OCDE. Os alunos portugueses
reconhecem o valor da escola e têm ambição de qualificação. A percentagem de
alunos que aos 15 anos quer tirar uma licenciatura é muito grande.
Entre 2003 e 2015
passamos a ter 33% de escolas com resultados acima do esperado (situadas em contextos
socialmente desfavorecidos e que conseguem ultrapassar esse obstáculo).
Aumentou 61%; passamos a ter muito mais escolas resilientes.
Fazer turmas de níveis
é bom ou mau? As escolas que fazem turmas de nível têm piores resultados. Turmas
heterogéneas são melhores em termos de resultados.
A classe dos
professores sente-se desvalorizada e sem reconhecimento; e cada vez tem mais e
melhor qualificação. Só em Espanha os professores se sentem menos valorizados.
Só 1,5% dos alunos (aos 15 anos, em 2015) querem ser professores, de acordo com
este estudo. E a média das notas deste 1,5% é muito baixa. Isto só acontece em
Portugal. Na República Checa, temos o mesmo 1,5%, mas são bons alunos.
Na Finlândia, os alunos que querem ser
professores são os melhores de todos.
Nos próximos 15 anos,
2/3 dos professores portugueses vão reformar-se. Entre 2003 e 2015, em
Portugal, nestes resultados, melhorou quase tudo, incluindo a formação
pedagógica do professor. Até o ânimo dos professores. O próprio estatuto
sócio-económico dos pais. O que é mau e piorou foram os números de chumbos e as
instalações nas escolas estarem cada vez mais degradadas. Aos 15 anos, 1 em
cada 3 alunos já chumbou uma vez.
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