quinta-feira, 2 de novembro de 2017

QUEM GANHOU COM A GLOBALIZAÇÃO? (II)


Trata-se das pessoas que são mundialmente muito ricas (os 1 por cento de topo a nível mundial) e cujos rendimentos reais aumentaram substancialmente entre 1988 e 2008. São também as vencedoras da globalização, quase tanto (e como veremos a seguir, em termos absolutos ainda mais) como as classes médias asiáticas. As pessoas que pertencem aos 1 por cento de topo a nível mundial são esmagadoramente de economias ricas. Os EUA dominam aqui: metade das pessoas nos 1 por cento de topo a nível mundial são norte-americanas. (Isto significa que cerca de 12 por cento dos norte-americanos pertencem ao 1 por cento de topo a nível mundial.) As restantes são quase inteiramente da Europa Ocidental, do Japão e da Oceânia. Dos que restam, Brasil, África do Sul e Rússia contribuem 1 por cento cada com as suas populações. (...) Vimos que o grupo B, com ganhos iguais a zero ou insignificantes decorrentes da globalização, é constituído sobretudo pela classe média baixa e pelos segmentos mais pobres das populações dos países ricos. Em contraste, o grupo C - vencedores da globalização - é constituído pelas classes mais ricas desses mesmos países. Uma dedução óbvia é que as disparidades de rendimentos entre o topo e a base aumentaram no mundo rico, e que a globalização favoreceu aqueles dos países ricos que já viviam bem.

Branko Milanovic, A desigualdade no mundo, p.32

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