quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Tempos de pessimismo


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Na entrevista concedida por António Damásio, a Clara Ferreira Alves, no último fim de semana, ao Expresso, fica muito patente, de novo, um sentimento de pessimismo - ou de um realismo que contrasta com um optimismo ingénuo de outrora - que hoje perpassa muitas elites ("uma coisa que me preocupa muito, o presente estado da cultura humana. Que é terrível. Temos o sentimento de que não está apenas a desmoronar-se, como está a desmoronar-se outra vez e de que devemos perder as esperanças visto que da última vez que tivemos tragédias globais nada aprendemos. O mínimo que podemos concluir é que fomos demasiado complacentes, e acreditámos, especialmente depois da Segunda Guerra Mundial, que havia um caminho certo, uma tendência para o desenvolvimento humano a par da prosperidade. Durante muito tempo acreditámos que assim era e havia sinais disso"). Para quem, igualmente esta semana, leu a entrevista de Orlando Figes, ao Público, ou o livro Tempo de raiva, de Pankaj Mishra - só para dar três exemplos que me ocorreram - o que perpassa por todos eles é o mesmo tom sombrio sobre o presente (o fim da ideia de progresso, de qualquer «telos» inscrito na história, o desmoronamento da cultura, a democracia em risco, a que juntaríamos, com Milanovic, a alternância política vindoura entre populistas e plutocratas, uma "desigualdade incrível", ou todos os perigos de uma espécie de religião tecnocientífica com Y.Harari, pese o optimismo, porventura cândido, deste em matéria de guerra, fome e peste).

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