quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Os diários de Marçal Grilo (II) (Disciplina)


Um dos aspectos a que hoje atribuo a maior importância na educação das crianças e dos jovens é o alerta permanente que os educadores (pais e professores) devem fazer sobre a necessidade do trabalho, da dedicação e dos esforços necessários ao estudo que conduz ao conhecimento e ao saber fazer. O estudo não é uma actividade lúdica ou quase lúdica em que o aprender se processa de forma natural, em que os professores actuam mais como colegas dos alunos e menos como líderes do conhecimento que procuram transmitir. Aprender, mesmo para os mais dotados, requer muitas horas de trabalho, grande empenho e disciplina, o que implica sacrificar tempos de lazer. Pode custar, mas há que estabelecer prioridades: se o objectivo é aprender, então que se deixem de lado algumas diversões e se estude de forma organizada e continuada. O sucesso não cai do céu nem salta da internet.

Eduardo Marçal Grilo, Quem só espera, nunca alcança, Clube de Autor, 2017, p.43

P.S.: aos 73 anos, Marçal Grilo matriculou-se, de novo, na faculdade, na cadeira de História dos Fascismos, leccionada por Fernando Rosas: "As aulas do Fernando Rosas eram a sério. Duas apresentações de 50 minutos cada e depois um período de debate em que eu participava activamente. Já tinha quase toda a bibliografia recomendada, sabia muito, mas ali pude sistematizar os meus conhecimentos. Era um professor com regras. Não gostava que os estudantes chegassem atrasados, ninguém falava enquanto ele expunha o tema e não deixava comer nas salas (o que hoje, em alguns cursos, é comum)".


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