quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Falta de imaginação (II)


- Então e o financiamento partidário?
- Não deve haver limites aos donativos privados.
- Não? Então a corrupção, em várias democracias, não está ligada ao financiamento partidário?
- Eu não suspeito das pessoas. Para mim, as pessoas são boas até prova em contrário.
- Então, mas considerando-se, de há muito, de direita, não é um pessimista antropológico?
-...Já vos disse que quero mais inspecções quanto ao modo como os subsídios do Estado são aplicados por diferentes instituições?
- Então, e o Estado abusador? Como compaginar essa maior fiscalização e a baixa do IRC que propõe? Não haverá menor receita para o Estado poder intensificar-se essa fiscalização?
- Não, quando houve a última baixa de IRC, em Portugal, a receita de IRC até aumentou.
- Também aumentou a seguir, quando não se prosseguiu a mesma política fiscal. Isso não quer dizer que não houve uma relação de causa-efeito entre a baixa do IRC e o aumento da receita fiscal nesse ano? Não teria esse aumento a ver com o facto de a receita ter descido tanto, nos anos anteriores a essa baixa do IRC, que era inevitável - tão baixo o patamar - que essa receita viesse a aumentar, ao primeiro aquecimento, mesmo frágil, da economia?
-...
-Já afirmou que quer modernizar, por completo, em termos tecnológicos o partido. Mas as propostas do ponto de vista de política económica e slogans como o Estado abusador não são muito anos 80? O que o distingue do outro candidato cuja proposta estrutural é...baixar o IRC? Não há aqui muita falta de imaginação?
-...
- É a favor ou contra a harmonização fiscal na Europa? Qual o limite mínimo em termos de taxação fiscal das empresas (capital) que considera adequado? Até onde devia Portugal ir? Se para concorrermos com outros países, em termos fiscais, tivéssemos que abdicar praticamente de taxar estaria de acordo? Não teme que se verifique o mesmo que em outros países, onde a baixa de impostos corresponde à necessidade de se cortarem apoios sociais - quando o candidato diz que essa é uma das suas grandes preocupações? Ou, então, ao aumento da dívida? Ou ambas? E que serviços, prestações sociais, apoios deveriam ser travados? Ou, em afirmando o candidato, em função do Orçamento de Estado apresentado, que a taxação irá subir para as empresas, no próximo ano, em Portugal, e em apontando, simultaneamente, as previsões, de diversas entidades, para um razoável crescimento económico (ainda que se possa questionar se o suficiente para convergirmos com a UE, é certo), em quanto calcula que esse crescimento estaria com a baixa de impostos? 4%/5%?

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