Rui Vitória fez um bom mind game quando, no final do slb-V.Setúbal, disse ir ao Dragão para ganhar os três pontos: a ideia é meter o medo no corpo (cabeça) do FCP. Se este tiver mais medo de passar a segundo classificado - se essa hipótese for omnipresente na cabeça do grupo de trabalho - do que de passar para 6 de avanço sobre o seu opositor desta noite, Vitória ganha o jogo. Não me admiraria que os encarnados entrassem ao ataque - ou, se se preferir, mais ao ataque do que se suporia - no Dragão na tentativa de gerar um certo pânico no seu adversário. Do ponto de vista estratégico - no continuum psicológico-tático - creio que assistimos a um remake, da parte visitante, do elaborado para Alvalade, há dois anos, num jogo muito importante da Liga (até para detetar estas semelhanças, penso que é importante no banco do meu clube alguém que conheça bem o campeonato português, e sua história e histórias recentes). Talvez que se o FCP, caso esta leitura não estiver errada, não se deixar abalar nessa meia hora inicial - onde, repito, creio que haverá tentativa de surpresa e de assustar -, terá renovadas hipóteses de ir mais longe.
Com o que vai da época julgo que tem provado ser mais avisado o FCP jogar com três médios e sem Maxi em campo. Gostava que Conceição fosse mais incisivo no discurso, mais motivador do que foi. Eleger a exibição com o Leipzig como modelo e ao fazer um discurso contido, creio que apontou a um jogo mais "racional" (do que propriamente o "vamos comê-los").
Do ponto de vista da ligação ao clube, e pese o clamor acrítico gerado, as declarações das últimas semanas não correspondem, de modo algum, ao património imaterial que permitiu que o FCP fosse tão forte.
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