domingo, 14 de janeiro de 2018

Entorno


Jorge Valdano e uma explicação invulgar sobre o consulado de Carlos Queiroz no Real Madrid, hoje (13-01-2018), em entrevista a Pereira Ramos, em ABola (pp.28-29): 

Carlos Queiroz foi um grande profissional, construiu um bom conjunto que funcionou muito bem durante três quartos da temporada, mas depois notou-se demasiado que éramos muito mais uma equipa que um plantel. Assim que os galáticos começaram a lesionar-se chegou a queda, não havia suplentes. Além disso sucedeu algo que não foi suficientemente estudado: a decadência, que foi como a queda num precipício, começou logo a seguir aos atentados de 11 de março de 2004, em Madrid. Dois dias depois obrigaram-nos a jogar em casa contra o Saragoça para o campeonato, foi um jogo disputado num ambiente irreal, todo o madridismo estava em estado de choque e empatámos. Quatro dias depois defrontámos a mesma equipa na final da taça do Rei, em Barcelona, e perdemos. Três dias mais tarde jogámos em Bilbau, sofremos quatro golos e a partir daí a equipa já não se levantou. Mais tarde descobri que em Nova Iorque, depois dos atentados contra as torres gémeas, uma das duas grandes equipas de basebol sofreu um golpe parecido ao nosso. Com isto quero dizer que, quando se dá uma situação como a que então se viveu, nunca é por um único motivo, a sensação é a de que um acontecimento destas dimensões acaba por ter influência nos jogadores e no ambiente futebolístico.


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