quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

"Oscilações globais"


Fiquei para ver a ficha técnica (guião e entrevistas, Anabela Almeida, realização Lisbonforce, produção de Miguel Lopes, banda sonora, Carlos Maria Trindade, locução de Catarina Santana) e parei na bibliografia (de Lipovetsky a Damásio, passando por Kurt Kurzweil): uma excelente série, conjugando testemunhos dos mais finos experts a nível internacional  sobre o que nos espera nas próximas décadas, com depoimentos dos mais reputados especialistas nacionais nas matérias analisadas (projetadas para daqui a 60 anos), grande dinâmica, um exercício visual e narrativo poderoso, com presença real nas cidades onde as mudanças estão já a acontecer de um modo mais visível [esta presença real implica meios, felizmente disponíveis; veja-se, por exemplo, como temos que acompanhar através de serviços noticiosos terceiros, agências de notícias internacionais ou jornais internacionais as manifestações que têm ocorrido no Irão, no diário português de referência, o Público]. Serviço público de qualidade, em "2077 - dez segundos para o futuro", que passa na RTP1, às terças-feiras à noite. No segundo episódio, um Professor de Física referia-se à importância das palavras: na não aceitação intuitiva do "aquecimento global" está aquela percepção empírica dos dias gelados, das chuvas, das grandes tempestades ligadas ao Inverno. Melhor se diria "oscilações globais", com a libertação de energia a implicar que o calor aqui desague no degelo além (até cidades e países ficarem debaixo de água, ou sistemas de transportes públicos, infra-estruturas básicas poderem vir a paralisar cidades - de aí, a busca, o paradigma de cidades resilientes). E, de resto, víamos como Marte, gelado, por seu lado, precisaria de ser "aquecido" para ser habitado - muito ainda falta para esse habitar humano potencial em tal planeta, sendo que depois de destruirmos a terra dificilmente se sabe onde parará a nossa voracidade. Para já, vão desaparecendo os elefantes, metáfora da negação em curso da biodiversidade, às mãos, também do nosso modo de vida.

Sem comentários:

Enviar um comentário