terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Um olhar pelo mundo


*No Irão, as manifestações em 2018, durante as quais morreram 21 pessoas, as mais fortes desde 2009, relacionaram-se com o aumento dos bens básicos: o surto da gripe das aves levou ao abatimento de 15 milhões de galinhas. O preço dos ovos disparou 50%, ao mesmo tempo que o Governo impunha cortes nas subvenções aos produtos de primeira necessidade, sem cortar no apoio aos sectores islâmicos mais conservadores. De aí que estes não tenham conseguido capitalizar com a crise. A corrupção também estará na base dos protestos. Num artigo na Nation, Trita Parsi, politólogo iraniano, viu ainda aqui o dedo de Trump: ao colocar sob pressão o compromisso nuclear do Irão, lançou nos mercados e nos investidores a dúvida sobre aquele acordo é para cumprir. Algo suficiente para que o recurso, essencial, ao crédito bancário, para investimentos - que travem o significativo desemprego (24% para jovens entre 15 e 29 anos) - fique em cheque e com isso a tensão social, que poderia advir da baixa do desemprego, não tenha tréguas.

*Há cerca de 120 mil presos na Coréia do Norte. Na Tunísia, único caso aparentemente bem sucedido das Primaveras Árabes, as manifestações também sucederam neste início de ano, com o aumento de impostos e do valor dos produtos a chegar a 30%. A moeda, a desvalorizar a 60%. Desemprego crescente. Ajuda do FMI. Nove governos em 7 anos. Na Arábia Saudita, o défice para este ano, prevê-se de grande magnitude. Os dirigentes, olhando ao exemplo iraniano, querem paz social. Lançado, em Janeiro, o IVA.

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