quarta-feira, 28 de março de 2018

Fogo e fúria (II)


Embora a sua emergência no proscénio da história se tenha dado por altura da II Guerra no Iraque, a Fox News existe desde 1996. Foi vista como uma das grandes vencedoras/impulsionadoras da vitória das últimas Presidenciais americanas, por parte do candidato apoiado pelos republicanos. Vários membros do Executivo americano pretendem-se (na perspectiva do Presidente Trump) esbeltos, ricos e com assento naquele canal de tv. Na perspectiva de Bannon, contudo, o significado da vitória de Trump foi a final ascensão do Tea Party à Presidência (p.193). Trump, impreparado, não esperava ganhar, e no momento em que percebeu que venceria, entrou em pânico. No livro de Michael Wolf, sustenta-se que não existe qualquer ideologia Trump - que não seja a do arrivismo, o beautiful people, o dinheiro, o reconhecimento social. De aí, que a imprevisibilidade e o caos sejam a consequência, em permanência, na Administração. E, face a um problema, um despedimento, enquanto reacção instintiva (p.185). Agir rápido, sem saber como. Note-se que, por esta altura do campeonato, há 5 vezes mais despedimentos na Administração Trump, do que a verificada, no mesmo Período, na Administração Obama. Falta de competências. Por exemplo, num pequeno e simples âmbito, observa-se a ausência de uma equipa para redigir os discursos. A vida numa bolha. Nos lugares-tenentes, a luta entre uma abordagem empresarial inteligente (Kushner) ou uma visão de extrema-direita (Bannon), numa certa descrição das coisas; ou, em alternativa, um Kushner, democrata de Nova Iorque (por exemplo, a favor do Obamacare); um Bannon alt-rigth e um Preibus, republicano do establishment. Cada um, contactando figuras tutelares de Trump - ou, pelo menos, que o fascinam - para o procurar influenciar num dado sentido (face à falta de uma visão do mundo minimamente estruturada por parte deste). Entre as altas patentes convocadas para integrar os quadros da Administração Trump, por exemplo, um ex-Presidente da Goldman Sachs - entre outros quadros da corporação (que conta com 35 mil funcionários). 
O livro de Wolf, com muitos pormenores fastidiosos, aborrecidos sobre pequenas lutas intestinas na Administração, tem, afinal, a virtude ou o defeito de corroborar o que se esperava de Trump e da sua Administração, nos seus vários registos. Dir-se-ia, até, que no traçar do perfil do líder norte-americano, não seria necessário ter tido acesso aos bastidores. Na contextualização oferecida, também se confirma o que há muito se sabia: a divisão no país, a cisão em países diferentes, também se encontra plasmada no corte entre as visões emanadas de diferentes media (p.232). A Breitbart News, aqui um dado que desconhecíamos, custa 1,5 mil milhões de dólares/ano "que dificilmente produzia lucros"(p.232). A decisão de Trump concorrer à Presidência teria derivado do gozo e humilhação que Obama infligiu àquela personalidade, nos idos (de 2011) da Gala anual com os jornalistas, onde são ditas um conjunto de piadas e se procura perceber o jogo de cintura da Presidência (p.235).

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