sexta-feira, 2 de março de 2018

IA e empregos - um olhar optimista


O site de análise financeira Market Watch publicou recentemente um artigo segundo o qual os robôs apoderar-se-ão de metade dos postos de trabalho nas próximas duas décadas. O artigo era acompanhado por um gráfico que ilustrava a variação dos números.
Ora, isto é grotesco! (Tento manter a postura profissional enquanto escrevo, mas às vezes...). O artigo adianta, por exemplo, que, nos Estados Unidos da América, em um milhão de pessoas afectas a tarefas de manutenção só 50 mil permanecerão no activo, porque os robôs farão o seu trabalho. 
Ora, quantos robôs existem que sabem efectivamente desempenhar estas tarefas? Zero. Quantas foram as demonstrações que provaram as aptidões dos robôs neste domínio? Zero. O mesmo se aplica a 90% dos empregos que necessitam da presença física no local e que estariam supostamente em perigo. Previsões erróneas fazem-nos temer coisas que não se concretizarão. É o caso do desaparecimento em grande escala de postos de trabalho (...). Para quase todas as inovações da robótica e da Inteligência Artificial, a execução demora muito mais tempo do que a maioria das pessoas julga, sejam especialistas ou não.

Rodney Brooks, Quem tem medo da Inteligência Artificial, artigo publicado em 06-10-2017, na MIT Technology Review, e traduzido por Ana Marques, na edição portuguesa do Courrier Internacional, nº264, Fevereiro de 2018, pp.38-49.

P.S.: o autor do texto é Professor Emérito do MIT. Dirigiu o laboratório de ciências informáticas e de Inteligência Artificial entre 1997 e 2007 e com uma empresa, a Rethink Robotics, empresa especializada no desenvolvimento de robôs colaborativos para a indústria, onde hoje é diretor-geral.

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