segunda-feira, 19 de março de 2018

Um horizonte


O século XX - também chamado «século sem Deus» - conheceu a crise da modernidade e o advento da pós-modernidade. Esta última também apresenta perfil complexo e movediço. Caracteriza-se pela prevalência do pensamento fraco e por uma viragem epistemológica devida ao desencanto da razão, que já não consegue dizer o que é a realidade, e nem mesmo oferecer fundamentos e princípios claros e indiscutíveis. Prevalece a contingência, o provisório, a descontinuidade. Surge uma nova sensibilidade que prefere o particular, a dispersão, a especialização e a fragmentação. Do ponto de vista psicológico, é caracterizada por uma perda de sentido, vivida como vazio existencial que, muitas vezes, causa evasão para as drogas, para o consumismo e o hedonismo.
Se na modernidade, parecia que tudo apontava para um mundo sem Deus e sem perspectiva de religiosidade, na pós-modernidade ocorre um regresso ao transcendente. Há uma ânsia cada vez maior de experiências e de práticas religiosas. Uma busca incessante pelo sagrado, sem por isso ter de escutar autoridades ou teólogos. Trata-se da busca por algo que atinja o coração humano e que o faça sentir-se querido e amado.

Maria Clara Bingemer, Experiência de Deus na contemporaneidade, Paulinas, 2018, p.5.

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