sexta-feira, 16 de março de 2018

Um regresso emotivo

 

Hoje, 17 anos volvidos, regressei ao Liceu onde fiz o Secundário. Já tinha colaborado, com alguns textos, noutras edições do Boletim Cultural, mas desta vez, emoções controladas, regressei a esse espaço tão forte e marcante da adolescência. Além do abraço a ex-professores (começando pela saudação ao dr.João Pinto, cuja informalidade prolonga um diálogo que permaneceu nesta mais de década e meia de distância, tantas vezes noutras sedes), a um conjunto de pessoas por quem tenho particular, grandíssima estima, foi engraçado que o professor que fez a apresentação do número que acaba de sair (desta publicação), Carlos Fraga, num auditório praticamente cheio, com algumas das individualidades e forças vivas da cidade, disse que destacava o texto de um ex-aluno da Escola, que ele "não conhecia fisicamente", só tinha conhecido em "bebé", mas que "era uma honra para a escola ter um texto com aquela sabedoria, densidade e coisas para dizer". E depois disse o meu nome, "não sei se está na sala", mas eu também não me mexi, e fiquei "encavacado" (como também ficaria, por motivos opostos, numa situação em que tivesse tido o trabalho criticado negativamente). Claro, foram 5 minutos particularmente simpáticos, porque era uma pessoa que eu não conhecia, e que não me conhecia verdadeiramente, a dizer aquilo (que pensava; e neste caso, o que pensava era simpático para com o texto). A sabedoria é do Houellebecq - mesmo que através daquela acidez monumental -, o texto também já o tinha partilhado por aqui, uma espécie de síntese-recensão-comentário-apontamentos-avaliação crítica de "A possibilidade de uma ilha" (com Donksis e Bauman). 
O tópico do fim de tarde: a comunidade (para mim, essencialmente isso; "e não é bom regressar?!", pergunta a ex-diretora, quase retoricamente; sim, foi bom), o tal significado de universitas enquanto agremiação de mestres e discípulos (grandíssima mestra, dra.Paula Seixas!), e que aqui engloba todos os que admirei e com quem valeu a pena viver, no mundo da escola e universidade. Hoje, regressei a aluno, situação, aliás, diária, porque sem dúvida que o estudo e a leitura diária, o conhecimento são, para mim também, importantes motores de entusiasmo por (e para) estar por cá.

Sem comentários:

Enviar um comentário