sábado, 7 de abril de 2018

O sentido da vida (VI)


Na descrição de Kurt Baier, a Ciência, de facto, despoja o ser humano de um propósito que lhe tenha sido atribuído por seja quem for senão o próprio (p.82). Não há propósito "da" vida, mas há propósito "na" vida (p.83).  "Não há algo ou alguém no mundo tal como a ciência o descreve no qual possamos ter fé ou confiança, em cuja orientação nos possamos apoiar, para quem nos possamos voltar para sermos consolados, que possamos venerar ou a quem nos possamos submeter - excepto outros seres humanos" (p.83).  
É um juízo de valor determinar se a vida vale a pena ou não. Qual destas vidas teve mais bem-aventuranças? Logo, qual vale mais a pena? Mas, por outro lado, não podemos dizer qual vale e não vale a pena. Uma vida pode ter tido pouco prazer ou felicidade para quem a viveu, mas, ainda assim, ter sido muito valioso pelas descobertas que a pessoa fez, ou o que deu aos outros.
Se a vida puder ter valor, e ser relevante, pode ser assim mesmo que a vida seja curta. E só se pode considerar que é triste deixar o mundo se este for - se se considerar que este é - belo. "Apesar da vida, em geral, não ter sentido, a minha e a sua vida, em particular, podem ter sentido. A sua vida pode ter sentido e a minha não" (p.98). "A moralidade não é a distribuição de castigos e recompensas. Ser moral é abster-se de fazer aos outros o que, se eles seguissem a razão, não fariam a si mesmos, e fazer aos outros o que, se eles seguissem a razão, quereriam fazer" (p.99)

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