domingo, 22 de abril de 2018

Um estado dentro do Estado



Benfica: a ideia do poder infinito

O que se pode dizer dos mails do Benfica agora vindos a público é que o plano para dominar tudo parece ter sido executado. Em si, não é nenhum crime ter uma organização profissional, como aliás já disse muitas vezes. Mas outra coisa é perceber a frieza da concepção, que já tínhamos visto noutros mails (de Tiago Pinto, promovido ao futebol). E que mostra como em Portugal é relativamente fácil, pelo menos, pensar em concentrações de poder sempre altamente nocivas. Porque há ali muita coisa que todos adivinhávamos e agora vemos em letra de forma (os empréstimos de jogadores com fins pouco sérios, a compra de direitos de TV a pequenos clubes para os dominar, levar a sede da Liga para Lisboa, claro!, a influência nos média, na política, nos juízes!). Um estado infinito dentro do Estado? Ter como objectivos não o desporto, mas tudo submeter aos interesses próprios em nome sabe-se lá de que direito. O Benfica tem direito a pensar o sentido do poder, mas o que se vê ali é querer dominar. São coisas diferentes. 

Manuel Queiroz, OJOGO, 22-04-2018, p.16. 

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