quarta-feira, 27 de junho de 2018

Ainda o exame de Português do 12ºano - o profeta


Já agora, na questão 3, da parte A, do Grupo I, no exame de Português do 12º ano 2017/2018, na qual se solicitava que se dessem razões para que o sujeito poético (em excerto da Mensagem, de Fernando Pessoa) pudesse ser considerado um profeta (vide prova aqui) deixo esta precisão acerca da figura do "profeta" que deve ser bem compreendida (e muitas vezes, não o é): "A profecia não é a previsão do futuro. Quando o profeta fala do futuro é para se referir ao presente e anunciar o que poderá acontecer se este não se alterar - ou a possibilidade de outro desfecho, se se alterar [não é como que se "por magia tivesse sido revelado algo que viria a acontecer no futuro"]. Trata-se antes de uma leitura corajosa e mesmo arriscada da história (...) O martírio como testemunho é o núcleo do profetismo (...) Cada tempo é o que é, possuindo a sua grandeza e os seus problemas. E a cada tempo é necessário o seu profetismo" (João Manuel Duque, Fátima - uma aproximação, Paulinas, 2017, pp.135-136). Já vi os critérios de correcção (aqui), que, em uma potencial interpretação mais ambígua, tanto permitem a leitura mais comum acerca do profeta (o que anuncia uma realidade que vai suceder, como que conhecendo, este, antecipadamente o futuro), como esta última, mais rigorosa, sobre do que se trata quando se trata de uma profecia (se o futuro já estiver escrito, volto a insistir - porque tudo tem a ver com tudo -, então somos "marionetas nas mãos de deuses", não temos liberdade, logo não podemos ser responsabilizados, o que significa que não temos dignidade; a história já escrita, alguém que já sabe o que se vai passar 400 anos depois, implica a negação do livre-arbítrio, ou a possibilidade de transformarmos, de algum modo, o mundo). 

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