quinta-feira, 28 de junho de 2018

Jogo de cintura



Nos sinais que soube dar, na linguagem corporal, na resposta sobre Ronaldo à Presidência, e mesmo que a conversa tenha sido de circunstância e sem substância de maior, Marcelo Rebelo de Sousa soube estar à altura, na resposta à advertência de Pacheco Pereira de que não envergonhasse os portugueses com intimidades com Trump, uma proximidade e elogios que, a ocorrerem, seriam nefastos. Marcelo manteve o facies circunspecto, entrou na Casa Branca tomando a iniciativa e cumprimentando do modo que desejou e, sobre uma candidatura de Ronaldo à Presidência, respondeu mesmo ao homólogo norte-americano que "Portugal não é os EUA". Naquela dança da diplomacia, a correcção face ao hóspede, e, simultaneamente, o distanciamento necessário, a ausência de demasiados sorrisos e/ou grandes abraços, Marcelo, uma vez mais, demonstrou que domina a cena política como poucos. Político profissional, a não falhar num exame (que podendo parecer muito simples, conversa de circunstância, não deixava de conter, naqueles simbolismos tão importantes em política, uma casca de banana escondida da qual soube furtar-se com inegável mestria). Naquela realidade que costuma traduzir-se por "política pura", Marcelo evidenciou continuar a um nível elevadíssimo.

P.S.: Isto, na noite em que Miguel Sousa Tavares defendia, em entrevista a Vítor Gonçalves, na RTP, um "golpe de génio" de Marcelo ao extinguir os "populismos maus" a beijos e selfies maciços. E, no entanto, se "Portugal não é os EUA" e Ronaldo não chegará a Presidente, Marcelo bem podia poupar-se a ser comentador de futebol e fazer o pós-match de cada partida da selecção, aliás sem grande queda para o assunto. Neste aspecto, Portugal não é os EUA, nem, suponho, mais nenhum outro país à escala global, com as flashs interview desde o Palácio de Belém. Agora que os "populismos maus" estarão aniquilados, Marcelo também não precisa de correr pelos 90% na reeleição.

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