sábado, 9 de junho de 2018

Ver, rever, pensar



Na noite em que a RTP2 voltou a passar o extraordinário O cavalo de Turim:

Um filme que quase foi feito "para ser uma experiência de culto, para ser saboreado, uma experiência primordial". "Uma experiência profunda e talvez de mudança de vida esta noite" - diz aquele que faz a Introdução

Thomas Elsaesser: "O filme é sobre as 'coisas últimas', "sobre as condições mínimas do que é viver e sobreviver neste tempo". O filme pode mexer convosco como "sendo de outro mundo, de outro tempo, de outro século, com um conjunto completamente diferente de coordenadas do que estão acostumados e do tipo habitual de cinema"; "Béla Tarr é um desses directores que decidiu reinventar o cinema"; "um austero, mas muito delicado preto-e-branco"; "intensidade, luminosidade, beleza"; uma pobreza extrema, de pessoas que têm uma sacralidade, mas que não parecem ter qualquer projecto ou conceito (do que podem ou querem fazer e onde) "e que nos faz pensar sobre o que nos importa nas nossas vidas, hoje". "Béla Tarr é o mais conhecido dos cineastas desconhecidos no mundo". "Ele é conhecido por um muito pequeno grupo de dedicados, senão crentes apaixonados e fanáticos do seu tipo de cinema". O Cavalo de Turim é "uma jornada espiritual para empreender" que "pode deixá-lo tão desolado [e a pensar/sentir] que é demasiado para absorver numa noite"; "você não vai estar olhando, espiando as personagens, mas vai estar com elas [na jornada em que estão]; é um auto-exame seu entre eles; tem de estar de mente aberta para esse exercício espiritual"; pode ver o filme, a certa altura, como "uma libertação", uma "comédia" do mais alto coturno, de um "Beckett, Kafka...", mas uma percepção que voltará a alterar-se para algo mais sombrio...quando a câmara os abandona..."e eu pensei em coisas em que nunca tinha pensado"

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