sexta-feira, 6 de julho de 2018

O que interessa é o que as pessoas têm na cabeça


Wittgenstein teria quando muito aquilo que nós chamaríamos em Portugal uma licenciatura em Engenharia e, em 1929, com base num livro que ele publicara oito anos antes, o Tractatus Logico-Philosophicus, dois filósofos da Universidade de Cambridge, [Bertrand] Russell e [George Edward] Moore, decidiram atribuir-lhe um doutoramento. Wittgenstein deu aulas naquela universidade nos 20 anos seguintes (...) Há pessoas para quem tudo o que importa são as credenciais, há outras que privilegiam antes o que as pessoas dizem (como fez Russell em relação a Wittgenstein). (...) Há ex-estudantes nossos [do Programa de Teoria da Literatura, de Pós-Graduação] que agora estão, dentro e fora de Portugal, noutras universidades; uns são poetas, outros distribuem flores, outros são estivadores, outros são investigadores...A ideia de controlo institucional não nos interessa.

Miguel Tamen, entrevistado para a Ler nº149, Primavera de 2018, por Filipa Melo, pp.20-33. 

[por um país mais arejado; em Portugal, prefere-se, invariavelmente, o argumento de autoridade à autoridade do argumento]

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