domingo, 22 de julho de 2018

Radiografia


1.Anoto do Diário de um Psiquiatra, de José Gameiro: num estudo publicado pelo "British Medical Journal", com uma amostra significativa, asseverou-se que os casados, face aos solteiros, têm significativamente menos problemas coronários e AVC - bem como recuperam mais destes do que os não casados. No fundo, o texto, que pedia mais detalhe ao estudo - diferenças entre casados satisfeitos e insatisfeitos, por exemplo -, retomava a ideia de que a solidão se apresenta como (forte potencial) preditor de doença (ou, a contrario, como a sociabilidade, ou mais rigorosamente, relações fortes tenderão a predizer mais saúde). 

2.Apesar de se situar num espectro político oposto ao de Jaime Nogueira Pinto, André Freire, no mais recente número do JL, e como Professor de Ciência Política, na recensão crítica à reedição de A direita e as direitas é bastante elogioso: "é de saudar, pela pertinência e oportunidade, a reedição do livro de Jaime Nogueira Pinto (...) [os textos] continuam a ser muito informativos do ponto de vista histórico, e até para além disso pois, podiam (embora com algumas necessárias adaptações...) fazer parte de um manual de ciência política sobre estes temas - portanto, a oportunidade da reedição mantém-se (...) a verdade é que o livro tem um forte cunho de erudição, universitário em larga medida (...) o autor é muito eclético nas suas leituras, não apenas ligadas às direitas, e mostra um extenso conhecimento sobre produtos culturais (literatura, filmes, teatro, etc.) fundamentais para enquadrar e entender os grandes debates políticos do nosso tempo. Tudo razões para recomendar vivamente a leitura do livro (...) Globalmente, sublinharia que se trata de um livro muito bem escrito, relativamente bem informado sobre os grandes debates das ciências sociais e políticas sobre estes temas. Portanto, uma leitura claramente recomendada para todos os interessados. Do lado menos bem conseguido, ressaltaria, primeiro, a pouca atenção dada à produção portuguesa (mas com forte projecção internacional) mais recente das ciências sociais e políticas sobre estes temas; segundo, a falta de uma edição global mais cuidada que evitasse excessivas redundâncias e repetições entre capítulos" (JL, nº1247, 18 a 31 de Julho de 2018, p.29).

3.Quando nos chegam emails da mais variada proveniência - ainda que sem fonte certificada - sobre a alimentação a prosseguir, quando não há telejornal sem referência à doença do dia [substituindo o almanaque com o respectivo santo de cada folha do calendário], quando não há programa televisivo para pessoas que têm que ficar em casa que não tenham o sr doutor, quando as rádios passam sistematicamente os anúncios da nutribalance (ou lá que é), quando os médicos, e mais ainda os nutricionistas, vestem a capa de um moralismo enfurecido, quando o forjar de uma sabedoria, a cultura, aquilo que se tem na cabeça foi substituído a ginásios, cremes e outras mariquices, uma pontada de humor - mesmo que num questionário Proust - é do que eles estão a precisar: "De que é que se arrepende na vida?". Responde Frederico Lourenço: "De ter deixado de fumar". Muito bem.

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