No GPS, de Fareed Zakaria: Desde Janeiro, funciona a cadeira mais popular da história da Universidade de Yale. Chama-se "Psic 157: Psicologia e uma boa vida". Todos lhe chamam a "cadeira da felicidade". Matricularam-se, nela, logo, tantos estudantes, mais de 1200, que as aulas foram dadas numa sala de concertos. A experiência alargou-se às demais universidades (mesmo para lá dos EUA).
Um estudo de uma revista científica norte-americana mostrava que 30% dos alunos dizia sentir-se tão deprimido que (quase) não conseguia ser funcional; 50% afirmava estar, muitas vezes, ansioso; 80% dos estudantes consideravam-se assoberbados com o que tinham que fazer. De aí a criação desta cadeira.
A docente da disciplina na Universidade de Yale considera que os alunos se concentram demasiado no futuro e no emprego que terão e que isso não promove o bem-estar, sendo que este implica habitar e aproveitar o presente, socializar e estar grato pelo que se tem (estar grato para com a vida).
Prossegue, sublinhando que não é coincidência o actual mal-estar coincidir com um tempo em que a tecnologia está a eliminar as interacções sociais normais. Aduz que os estudos demonstram que interacções simples, como falar com o empregado do café ou com alguém na rua melhora mais o bem-estar do que aquilo que se pensava. A comparação com os outros, potenciada pelas redes sociais (os outros que, nessas redes, parecem sempre levar uma vida mais interessante, bem-sucedida, atractiva, divertida, melhor do que a que "eu" levo), também ajuda ao mal-estar.
Ter tempo livre, interagir socialmente, sentir-se grato pela vida é o que esta docente universitária transmite aos seus alunos como o mais importante revelado pela ciência para se atingir a felicidade. Não é que haja aqui grandes novidades - ao longo dos anos, temos lido sucessivos estudos que indicam que as pessoas entendem que o sentimento de bem com a vida tem a ver essencialmente com o estarem bem com a família e os amigos, e satisfeitos com o que estão a fazer, a nível laboral -, não é que haja uma definição unívoca para felicidade (de aí que falar em "ciência da felicidade" seja necessariamente problemático...), mas aqui fica o registo. Se fizermos rotinas que impliquem estarmos com os amigos, isso é não só muito mais fácil do que duplicar o salário, como trará grandes benefícios ao nosso bem-estar. 25% dos alunos de Yale têm esta cadeira. E há uma versão gratuita da mesma on-line.
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