segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Em Outubro, as eleições no Brasil



No debate da passada quinta-feira, entre vários candidatos à Presidência do Brasil, notámos como a questão do emprego é aquela que, neste momento, mais preocupa os brasileiros. O que não espanta, se atentarmos que, actualmente, o Brasil conta com 13 milhões de desempregados. A realidade dos jovens, por seu turno, não é mais animadora: há 11 milhões de jovens nem-nem (jovens que não trabalham, nem estudam). Ainda assim, o Brasil é, por esta altura, a oitava maior economia do mundo. Sendo que apresenta gastos com Segurança que ultrapassam a média da OCDE. O que não impede que haja cerca de 62 mil homicídios ano (há quatro anos, eram 59 mil, pelo que, infelizmente, a criminalidade aumentou). 32 milhões de brasileiros não têm protecção social. Houve mais 8% de estupros contra mulheres, no último ano, bem como um incremento de 8% do "feminicídio". Há, igualmente, uma elevada taxa de homícidios de jovens.
No debate televisivo na Band, os candidatos mais articulados foram Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT), dentro do que são propostas político-ideológicas bem diferenciadas (ainda que com as narrativas que sobejam dos finais dos anos 70). Alckmin, à direita, propôs redução da despesa, baixa de impostos,
integração comercial em redes transnacionais, desburocratização, desregulação; redução do IRC, apoio à reforma laboral do Governo Temer. Ao mesmo tempo, do ponto de vista político, pretende uma legislação reformada que acabe com a existência de 35 partidos (assentando no modelo misto alemão). Ciro Gomes, à esquerda, prometeu alterar a legislação laboral que, com a última reforma, considerou "selvagem" e sem qualquer efeito no aumento de emprego. Mais protecção social, nos mais variados domínios, com investimento na economia, pelo Estado, resultante de uma maior taxação do capital, do que aquela hoje feita, e menor penalização do trabalho. No ensino, em vez da 
“decoreba, ensinar o jovem a pensar”e não “introduzir o
chicote dentro da aula”
. Notou-se alguma evolução, face há poucos anos, da posição do PSDB relativamente ao programa "Bolsa Família", agora qualificado por Alckmin como "um óptimo programa" (contrariando, assim, sublinhou Ciro Gomes, o editorial do referido partido no seu site, onde tal programa era classificado de "Bolsa Esmola" e se dizia que "escraviza" a pessoa).
As atenções, face às sondagens, talvez estivessem concentradas em Jair Bolsonaro, cuja participação, preparação e propostas foram bastante rudimentares. Talvez, o modo brutal como apresentou a questão do desemprego, tenha chegado para muita gente: sei que vou perder votos, disse, mas segundo muitos empresários me têm dito, prosseguiu, ou os brasileiros aceitam perder direitos para terem emprego, ou então estão no desemprego com os direitos todos. Defendeu o uso de castração química voluntário por parte de condenados por crimes de estupro. Confrontado com o (seu) uso pouco ético de dinheiros públicos, foi incapaz de dar qualquer resposta mínima.
Quanto a Marina Silva, a prestação que teve no debate foi, também, muito aquém de expectativas que ao longo de muitos anos muitos depositaram na mulher que subiu a pulso na vida.
Num debate em que termos como "escumalhação" ou "roubalheira" não deixaram de vir à cena, e no qual a invocação de Deus foi outra constante (“o grande problema que a nação enfrenta é a falta de amor ao próximo”, disse um dos candidatos) - termos pouco vistos em debates na Europa, mas presentes num Brasil onde os evangélicos detém hoje significativo poder -, registo ainda para as elevadas taxas de juro que o país paga neste instante.

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