As férias grandes fazem mal aos miúdos?
Os três meses de férias são uma felicidade para os miúdos e um problema para as famílias, já se sabe. Porém, um estudo recente realizado na Duke University, na Carolina do Norte, com alunos entre os sete e os 15 anos, vem acrescentar um dado novo a este problema: quando voltam do seu longo Verão, muitas crianças não se lembram de uma boa parte do que aprenderam no ano lectivo anterior, chegando este "perda de conhecimento estival" a atingir os 25 por cento. "É bastante evidente que as crianças esquecem as coisas durante o Verão", diz o professor de Psicologia e de Neurociências Harris Cooper, citado pela The Economist.
A tendência, observa, mantém-se até em países com períodos de férias mais curtos, como o Reino Unido, a Bélgica ou a Alemanha. A tudo isto acresce o facto de esta "perda de conhecimento" também produzir efeitos na mobilidade social.
Ou seja: as crianças menos abonadas são as mais prejudicadas, uma vez que não têm tantas possibilidades de frequentar campos de férias, com desportos radicais, ou de alargar os seus horizontes em viagens por outros países. Estes esquecimentos durante o Verão são responsáveis, segundo os investigadores de Baltimore, por dois terços da desigualdade na aprendizagem entre ricos e pobres.
No meio do desespero dos pais e do tédio dos filhos, o que fazer? A doutrina divide-se e, como quase sempre acontece nas matérias relacionadas com a educação, todos têm uma opinião. Há soluções, digamos, mais dentro do sistema: aumentar o ano lectivo, distribuir as férias por outros períodos do ano, mais actividades de Verão disponibilizadas pelo Estado (como o Governo inglês acaba de fazer). E, por fim, a solução apontada por movimentos que defendem que as crianças devem dispor de mais tempo sem um adulto sempre por perto: deixá-las ir para o parque.
Sara Belo Luís, Visão, 16 a 22 de Agosto de 2018, p.22.
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