quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Fazer política


Se alguém achava, ingenuamente, que as críticas de Vasco Pulido Valente, no regresso, em entrevistas sucessivas, ao "estilo presidencial" de Marcelo Rebelo de Sousa se deviam interpretar literalmente (como se a crítica ao estilo não fosse meramente instrumental numa outra batalha politicamente bem mais densa), eis o que diz, agora, até não sem acinte, acerca de Marcelo (de onde ecoa o "dr.Rebelo de Sousa"?), em nova entrevista, desta vez à Revista História, edição Agosto 2018, do JN (ou como a leitura e interpretação da história não deixa de visar, e de que maneira, o presente e o tem como alvo):


"Temos estado a falar de uma corrente no PSD que achava que não devia haver acção política senão com o PS, e que o destino do PSD e a política do PSD devia ser uma política de subordinação ao PS e, eventualmente, coligação com o dito PS. Essa era a corrente a que se chamava, nessa altura, "os inadiáveis", a que pertencia o dr.Rebelo de Sousa, hoje Presidente da República, e outras relíquias da democracia portuguesa. Uma corrente contra o Sá Carneiro a que pertencia o dito Marcelo Rebelo de Sousa, coisa que ele quer apagar do currículo dele, mas que está lá: pertenceu a esse lindo grupo. (...) Sim, mas a verdade é que ele estava em oposição com o Sá Carneiro, e o Sá Carneiro detestava-o. De tal forma que se recusava a ter qualquer conversa com os jornalistas do "Expresso", de que o Marcelo era director. Você não encontra uma declaração do Francisco Sá Carneiro, uma entrevista, uma declaração ao "Expresso", durante o governo dele, porque queria mostrar publicamente a sua aversão ao dito Marcelo Rebelo de Sousa. Bem: havia outra corrente, a do próprio Sá Carneiro, que pensava ser preciso legitimar toda a direita e que a direita fosse para o governo sem a muleta do PS" (p.64, edição nº15, História -JN, Agosto 2018)

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