quinta-feira, 9 de agosto de 2018

"Idiótes"


Alessandro Dal Lago, na Electra (nº2, Junho 2018, p.66) recordando a Hannah Arendt de A condição humana:

O termo [idiótes] (...) significava, em grego antigo, o homem «privado», no sentido de quem vive apenas «junto de si», sem participar na vida pública ou política, que para os gregos era a forma de existência mais digna. Mantendo-se fechado na esfera privada, o idiótes tinha como referência única a sua própria pessoa (a família, a casa, a propriedade privada, etc.) e não podia aceder aos conhecimentos que a vida em público, ou no mundo, poderia garantir-lhe.


P.S.: e, se quisermos, fazendo ecoar, ainda e sempre, Péricles, cuja citação, a este propósito, retomo: 

Nós não dizemos que um indivíduo que não se interessa pelos assuntos públicos é um homem que trata apenas dos seus negócios. Nós dizemos que um homem assim não tem lugar na nossa sociedade. (Péricles, citado in Blaug and Schwarzmantel, 2014: 26)

in Rui Graça FeijóDemocracia & configurações de um conceito impuro, Afrontamento, 2017, p.27.

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