domingo, 12 de agosto de 2018

Igreja Santa Maria (Cracóvia)





No Sábado, numa das maiores praças medievais da Europa, em Cracóvia, fui visitar a Igreja de Santa Maria. Datada do séc.XIV, com estilo gótico, tem uma exuberância, com uma gama de elementos, que gera, de imediato, a sensação de espanto. Se a necessidade desta, e a fome de beleza, tornam esta Igreja referência, já, naturalmente, as concepções de mundo, o imaginário é, evidentemente, muito diverso do de hoje; creio que, tal como as novas Igrejas de Braga demonstram, um templo, no séc.XXI, privilegiará, muito mais, o despojamento, o ir ao essencial, como que "escultórico", aproximando-se da ideia de "o crente do séc.XXI ou será místico, ou não será". A inflação de ornamental, de figuras, de múltiplos elementos gera, naturalmente, um "uau!" (necessário também), mas as Igrejas despojadas corresponderão mais à espiritualidade contemporânea.
Não se paga para entrar no templo - confesso que me causa sempre urticária que num templo cristão se pague para entrar, no que me parece uma manifesta contradição de termos, por melhores explicações com que se queira recobrir a medida. O que sucede, ali, em Cracóvia, é que um jovem, logo no hall de entrada da Igreja, pergunta: "é para rezar?". Se a pessoa diz que não, então não entra (e há quem diga que não e saia, há quem diga que sim para aproveitar e tirar fotos, há de tudo). Com milhões de turistas ano, é necessário impedir que tudo se transforme em espectáculo e degrade; por outro lado, à partida, impedir um crente de entrar, para mais com uma barreira monetária, seria contraditório e aqui não o fazem. No exterior da Igreja, estão fixados os horários das missas, de acordo com os dias da semana, com indicações em inglês. Todos os dias, há missa às 6 da manhã. E várias, ao longo dia. Ao Domingo, há missas praticamente de hora a hora até ao fim da tarde; vi que havia uma missa em latim, de manhã, e missa dos jovens ("for young people") à tarde. Conquanto, evidentemente, não entenda polaco, e querendo participar na celebração Dominical (na comunhão universal), optei por ir à "missa em latim". Em realidade, se exceptuarmos a parte primeira da Eucaristia, e a da Comunhão, a missa foi celebrada em polaco [mas, naturalmente, facilmente hoje acedemos aos textos dominicais com recurso a um smartphone]. A mitra e o báculo indicaram que estaríamos perante uma Eucaristia presidida pelo Bispo de Cracóvia. Ainda bastante jovem, para o que estamos mais habituados (talvez pela casa dos 50 anos). No final da celebração, foi cumprimentar as pessoas que estavam na nave central; durante a missa, não houve a pompa de um constante "tira mitra, põe mitra", sem acólitos, com um sacristão; e com sacerdotes que foram distribuir a comunhão, sentados a meio da Igreja. A música advinha do órgão de tubos; um senhor, e não um coro (pelo menos, nesta eucaristia das 10h), fazia os cânticos (mas acompanhado pela Assembleia, o que é sempre positivo). O Bispo fez uma saudação final aos visitantes de Cracóvia num inglês perfeito e deixou, ainda, uma mensagem em italiano. A missa durou um pouco mais de 50 minutos.

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