terça-feira, 7 de agosto de 2018

Na memória


Na visita que fiz a Auschwitz-Birkenau, neste início de Agosto, gostei de constatar dois elementos essenciais: i) apesar dos receios, ou constatações, sobre o modo como visitantes encarariam, em anos recentes, a visita aos campos de concentração e extermínio (como um outro, um mais, lugar de férias), observei, felizmente, um extenso grupo de pessoas com uma atitude extremamente respeitosa, contida, atenta durante toda a visita; ii) num momento em que se fala de crise de memória, do desaparecimento da centralidade que a Shoa teve (na consciência europeia, desde logo), os milhares de pessoas pelas quais passei, apenas no Sábado, em visitas certamente replicadas ao longo de todo o ano, evidenciou como o significado daquele lugar continua presente em milhões de pessoas. 

[As visitas guiadas aos lager - Auschwitz I e Birkenau, que estão separados por uma curta distância - são, a julgar pelo que me sucedeu, extremamente profissionais, com exposições claras e uma mensagem ética indisputável. Por outro lado, elas apresentam um ritmo que não permite demoras prolongadas em cada um dos recantos de cada campo (o que por vezes, pode ser penalizador; é verdade que também aqui a maximização da resposta à procura é igualmente patente); ainda assim, uma hora e meia em cada um dos campos, três horas ao todo, permeadas por curtos intervalos, serão um tempo ainda considerável nos registos de cada um; sem guia, estou em crer, perde-se um fio condutor que penso enriquecer, manifestamente, a visita e interpretação de cada espaço]

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