domingo, 19 de agosto de 2018

Vida moderna


O filósofo alemão Jurgen Habermas abordou um aspecto disso, em 2007, quando dirigiu uma discussão na Escola Jesuíta de Filosofia, em Munique, intitulada «Uma Consciência do que Falta». Ele tentou, aí, identificar uma brecha no centro da nossa «época pós-secular». Contou como, em 1991, foi ao serviço fúnebre de um amigo numa Igreja em Zurique. O amigo deixara instruções para o efeito, que foram estritamente seguidas. O caixão estava presente e dois amigos proferiram algumas palavras. Mas não houve padre, nem benção. As cinzas deveriam ser «espalhadas algures» e não deveria pronunciar-se «amén». O amigo - que tinha sido agnóstico - ao mesmo tempo que rejeitara a tradição religiosa, estava também a demonstrar publicamente o fracasso da visão não religiosa. Tal como Habermas interpretou o seu amigo: «A idade moderna esclarecida não conseguiu encontrar um substituto adequado para a forma religiosa de lidar com o derradeiro rite de passage que põe um ponto final na vida».

Douglas Murray, A estranha morte da Europa. Imigração, Identidade, Religião, Desassossego, 2018, p.254.

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