Quando, no século XVI, em França, se passa o Édito de Nantes, que institui a tolerância entre católicos e protestantes, o sentido de tolerância ainda é o de ter de se aguentar qualquer coisa [tolerare, que quer dizer «aguentar», «suportar»]. No século XVIII, isso começa a mudar e muito pela acção de Voltaire que mostra que a tolerância é não só algo que se deve fazer quando não se tem outra hipótese, mas que se deve promover sempre por ser uma coisa boa em si. Ora, os censores [da Real Mesa Censória, ao tempo, e sob a égide, de Pombal] chamavam a essa posição o «tolerantismo». Além do pirronismo, que era a dúvida radical, outra coisa que eles perseguiam nos livros era o tolerantismo. Outra doutrina que os censores perseguem é a do indiferentismo.
Rui Tavares, entrevistado por Bruno Vieira Amaral, para a Ler, nº150, Verão 2018, p.29
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