domingo, 23 de setembro de 2018

Futuro para a imprensa (?)


"Já fui mais pessimista do que sou hoje", disse Manuel Carvalho, diretor do Público, acerca do futuro dos jornais, na noite da passada sexta-feira, pelo 20º aniversário do Notícias de Vila Real, no auditório do Hotel Miracorgo, na capital transmontana. Se é certo que o jornal propriedade da Sonae chegou a vender 80 mil exemplares, e agora, em banca, vende 16/17 mil jornais (mais as assinaturas online, na casa das 12/13 mil); se é verdade que, com excepção dos projectos associados ao Correio da Manhã, tudo o resto - suponho que com, pelo menos, a excepção do Expresso - dá prejuízo (económico-financeiro), no que a jornais portugueses diz respeito (colocando a Sonae cerca de 2 milhões ano, no Público, num grupo que, em bons anos, dá 800 milhões de euros de lucro; Manuel Carvalho mostrou-se pouco inclinado a que sigam verbas do Orçamento de Estado para financiar jornais por uma questão de independência desses projectos jornalísticos e jornalistas; financiamento público de que deu nota de existir em França); se na última década (e meia) desapareceram dos escaparates jornais como O Primeiro de Janeiro, Comércio do Porto ou Diário Económico (e, com excepção dos Domingos no que respeita à edição em papel, o Diário de Notícias), a que se juntaram centenas de títulos locais, em uma tendência verificada por todo o mundo, por outro lado, nunca tanta gente leu o Público (são milhões mensalmente os que acedem às suas páginas online) e a experiência comparada permitirá acalentar esperança, em especial os milhões doados por leitores do The Guardian a este jornal por o julgarem indispensável às suas vidas individuais e colectivas (no ano passado, o jornal beneficiou de mais de 7 milhões de euros por esta via), ou o incremento de assinaturas do The New York Times (que, de resto, foi muito acelerado pela eleição de Trump, e por todo o processo que esteve na origem dessa escolha, com toda a problemática de manipulação das redes sociais, com criação de notícias falsas massivamente espalhadas). Actualmente, The New York Times tem mais de 3 milhões de assinantes na edição electrónica. Estes cidadãos que contribuem para os respectivos jornais de referência - aqui mencionados - entenderam como vital à democracia, que querem manter de boa saúde, com devido escrutínio governativo, a existência de uma imprensa tão livre, independente e de qualidade quanto possível.
Também no Público se assistiu, pois, ao incremento de assinaturas, nos tempos mais recentes, sendo que, conjuntamente com o projecto online Observador, a sua existência (actual), contudo, está vinculada ao referido mecenato (filantropia) empresarial. Que, em todo o caso, não é demasiado presente na vida pública nacional.
Convidado para falar sobre a importância da imprensa local/regional para o desenvolvimento local, Manuel Carvalho, natural de Alijó, antigo aluno do ensino Secundário em Vila Real e ex-professor do primeiro ciclo do ensino básico, recordou a Lei de proximidade que, goste-se ou não, se observa e baliza o interesse das populações pelas notícias: "o que se passa na minha rua é sempre muito mais importante do que aquilo que está a ocorrer a milhares de quilómetros". Neste contexto, a imprensa local/regional pode contribuir/contribui para a coesão social, na media em que coloca a mesma comunidade face aos mesmos factos, o mesmo tipo de relatos, de sentimentos, capaz, potencialmente, de gerar, desta sorte, o fortalecimento do reconhecimento, auto-estima, resiliência da mesma (população/comunidade).

Na noite em que Ricardo Magalhães (vice da CCRN) e Fontaínhas Fernandes (Reitor da UTAD) fizeram parte do painel de convidados e realizaram pequenos apontamentos acerca do tema - a hipótese de uma maior integração/interação/sinergia entre o Notícias de Vila Real e a Universidadefm, ou mesmo uma futura televisão local/regional a partir dos recursos existentes na UTAD foi equacionada -, Luís Mendonça (diretor da UFM e recém-director do Notícias de Vila Real) aludiu ainda à falta de cumprimento com as rádios do interior da publicidade institucional, prevista na lei, por parte do Governo. 

[Marcaram presença neste encontro cerca de quatro dezenas de cidadãos vilarealenses, sendo identificado apenas um sub30...sublinhado simbólico de fim de noite, com o fundador e diretor do periódico durante este período de 20 anos, Caseiro Marques, a apelar a novas assinaturas, a recordar a edição de livros que ajudaram a completar as receitas, e o apoio de mecenas individuais e colaboradores que gratuitamente contribuíram para as duas décadas de vida que o jornal leva]

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