sexta-feira, 7 de setembro de 2018

O regresso às aulas


Na Visão (de 06/09/2018):

*55% é a percentagem de crianças filhas de pais trabalhadores manuais que seguem as pisadas dos progenitores. Portugal é o país da UE com a mais baixa mobilidade social proporcionada pela Educação;

*Em escolas dos Jesuítas da Catalunha, cujos resultados têm inspirados várias tentativas de, de alguma forma, reproduzir aquele modelo e concepção de escola/metodologias/pedagogia, os dias começam com 20 minutos de reflexão sobre os desafios que se propõe (para a jornada escolar) e terminam com mais 20 minutos de discussão para avaliar se os objectivos foram alcançados; 

*Em Portugal, nos colégios privados recorre-se ao digital, nas aulas, em 70% dos casos; na escola pública, em 40% dos estabelecimentos;

*No nosso país, 30% dos alunos com 15 anos já apresenta, pelo menos, uma retenção (quando a média da OCDE é de 13%);

*Em Tacoma, nos EUA, com o Big Data, "é possível saber-se as notas dos testes todos, onde vivem, se são novos na zona, o que fazem os pais, se faltam à escola, etc. Os alunos que estiverem com alínea vermelha são os que precisam de ajuda imediata;

*O Provedor do Professor é uma ideia que tem anos, na Finlândia: aquele a quem é sempre possível recorrer, por parte do docente, quando este tem uma dificuldade com um aluno, e busca conselho, recursos para encontrar uma adequada solução (ou conjunto de soluções) para melhor lidar, e capacitar, o(s) aluno(s) em causa;

*No Japão, os melhores professores têm honras especiais nos funerais;

*Em diferentes latitudes, e com bons resultados, temos um "modelo invertido" face ao modelo-padrão em muitas escolas: os alunos vêem, nestes lugares, o vídeo em casa (Khan Academy, por exemplo), seguem ao seu ritmo na aquisição de conhecimentos, e a escola esclarece as dúvidas que o aluno traz.

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Um pouco contra-corrente, mas que é sintomático de um certo impasse, ou, se se preferir, de um natural tactear e algum experimentalismo nesta hora de um grande ênfase nas competências e recursos digitais, o texto de abertura, na mesma newsmagazine, da diretora Mafalda Anjos (p.8):

segundo esta, se os recursos digitais têm provado no domínio do estímulo à curiosidade, por outro prisma, eles parecem poder tornar o nativo digital mais disperso e impaciente e "com mais dificuldade de accionar os circuitos de leitura profunda, que são essenciais para a inferência, a análise crítica e a reflexão". Mais: "a verdade é que está longe de estar provado que uma desmaterialização integral dos recursos educativos traga vantagens inequívocas para os miúdos. Vários estudos, aliás, provam o contrário: uma investigação feita na Noruega concluiu que os padrões de leitura e compreensão de alunos que liam em papel eram significativamente melhores do que os que liam apenas em digital. Isto porque o papel dá uma noção espacio-temporal importante para a navegação e a memorização dos factos. Este tipo de 'marcadores de memória' que o papel oferece não tem (pelo menos, ainda) substitutos tecnológicos à altura. Da mesma forma que, vários estudos o dizem, tomar notas e apontamentos de informação permite melhor aprender e memorizar do que apenas ouvindo ou lendo. Acabar com o papel nas salas de aula é um perigoso incentivo à superficialidade do conhecimento e à incapacidade de concentração. Ao dar às crianças tudo o que querem e como querem, de foram facilitada, embrulhada e estupidamente digerida, estamos, mais uma vez, a mimá-las demais e a prepará-las mal para o mundo real onde nada se consegue sem empenho e esforço".

P.S.: Por sua vez, esta semana, a propósito da proibição do uso do telemóvel, não já em sala de aula, mas nos pátios e no recreio, por parte da Assembleia Nacional Francesa, escrevia ElPaísLa parte perturbadora del móvil en la escuela tiene que ver con que es una puerta abierta a las redes sociales. Lo que perturba es su capacidad para estimular y satisfacer la curiosidad innata, la misma curiosidad que nos hacer mirar por la ventana cuando oímos gritos, o detenernos a mirar en la carretera cuando ha ocurrido un accidente. Tener una ventana al lado desde la que siempre se oyen gritos puede ser bastante incompatible con la atención que requiere, por ejemplo, un problema de matemáticas. Pero no solo en el aula modula el comportamiento. También en el patio. Los niños que tienen móvil tienden a comunicarse a través del móvil, a jugar con el móvil y pueden acabar prefiriendo las relaciones virtuales que el contacto personal. Aprender requiere esfuerzo. Las nuevas tecnologías pueden ayudar, por supuesto, pero siempre que su uso esté dirigido por el profesor y para tareas determinadas. Los móviles y tabletas pueden ser muy útiles, obviamente, en la búsqueda de materiales e información. El problema se plantea cuando disponer de los dispositivos induce a utilizarlos de una manera que interfiere con el proceso de aprendizaje. Las nuevas tecnologías pueden y deben incorporarse a las tareas educativas. Pero estar abiertos a las nuevas tecnologías no significa quedar prisioneros de ellas. Y mucho menos sucumbir al poder adictivo que tienen como herramienta de entretenimiento. ¿Significa eso que lo mejor es la prohibición? No está claro. Habrá que ver qué pasa en Francia. 
(na íntegra, aqui


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