quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Bloco de apontamentos


*Em finais de 2017, havia 13303 reclusos em Portugal. Menos de metade - não chegava aos 6 mil - trabalhava. Ainda existem muitas cadeias, incluindo a de Vila Real, com sobrelotação.

*Paulo de Morais chamava ontem a atenção no Público para o facto de no Orçamento de Estado para 2019 estar incluída uma verba de mais de 1700 milhões para o Fundo de Resolução da Banca. E recordava as declarações de Maria Luís Albuquerque, sobre o mesmo tema, na legislatura anterior: a transferência do OE para o Fundo de Resolução da Banca, naquele ano, seria, irrepetível (no futuro) e o dinheiro recuperável. Chegados aqui, nem uma coisa, nem outra.

*Paulo Rangel também ontem, no Público, reclamava do pouco escrutínio, mediático e da sociedade civil, ao número exagerado de casos, em que membros da mesma família integram o actual Executivo português, no que colocaria em cheque o princípio republicano
No mesmo texto, e ao contrário de outros condescendentes na mesma área política, Rangel escreveu que face a Bolsonaro não se pode hesitar (na sua condenação).

*Não abriu telejornais em Portugal - também porque, como refere Nobre-Correia, quando a televisão pública tem um telejornal com o dobro ou triplo do tempo dos seus congéneres europeus, isso significa uma falta de hierarquização do relevante, o meter-se tudo na mesma sopa turva e não contribuir-se para o empoderamento da opinião pública portuguesa -, mas assistiu-se a uma cisão na Igreja Ortodoxa, na Ucrânia, com o beneplácito de Constantinopla, considerada a maior desde o séc.XI. São placas tectónicas que se movem no fermento de uma sociedade e que, porventura, indiciam ainda ulteriores ondas sísmicas/conflituais.

*Pergunta hoje Rui Tavares no Público: face à objecção recorrente - serão todos os brasileiros/italianos/turcos, etc. - fascistas (para votarem do modo como o fazem)? - a resposta do historiador: e nas primeiras décadas do séc.XX, eram todos os italianos, ou alemães fascistas?

*Em 4 anos, o Salário Mínimo Nacional sobe 95 euros mensais. É bem significativo e não levou a encerramento de empresas, ao aumento do desemprego nem ao abrandamento económico.

*Como mostra a reportagem do La Reppublica, o elevador social em Itália, à semelhança de muitos outros lugares do mundo industrializado, está quebrado. Como são as ilhas de membros de famílias mais desfavorecidas que chegam ao topo?: a) os meninos são muito diligentes nas aulas; b) o contexto social dos outros meninos da turma (que sendo mais elevado pode puxar pelo menino oriundo de famílias com menos apetrechos educacionais/culturais/sócio-económicos; aspecto, aliás, muito relevado por Esping-Andersen nos seus estudos sobre o Estado-Providência, quer nos domínios cognitivos, quer nos não cognitivos); c) melhor clima disciplinar na(s) escola(s) frequentada(s) por estes alunos.  Apenas 6% dos alunos pobres de Itália estão matriculados em "escolas de prestígio". Em Itália, apenas 9% da pessoas entre os 25-64 anos que completou o ensino superior tinha pais que não haviam completado o Ensino Secundário.
Em escolas mais difíceis e periféricas, os professores que lá ensinam são mais precários. Leia-se a notícia  aqui.

*Também em Espanha, a "segregação" escolar - o acesso a boas escolas muito ligado à classe social em que se nasce, com uma brecha logo aos 10 anos - é muito precoce. O ElPaís sublinha, contudo, a importância da resiliência emocional quando observa como, ainda assim, um pequeno grupo, de entre os que nasceram em famílias menos favorecidas, consegue singrar. Vide aqui.

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