quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Dicionários


"A qualidade dos dicionários actuais baixou, sobretudo na quantidade de palavras e de significados. Os mais antigos têm abonações literárias, têm considerações etimológicas e têm sugestões de como evitar galicismos ou anglicismos. E isso é uma coisa que já não encontramos nos actuais (...) Aí [nos dicionários digitais] já não se distingue as palavras portuguesas das estrangeiras, não há itálicos a assinalar. Às vezes até têm uma seta que remete para a ortografia estrangeira. Por exemplo, stresse, com e, é encaminhado para stress (...) Esta sociedade tecnológica tem muitas vantagens, mas da mesma forma que há muito mais informação disponível também há menos informação lida. A enciclopédia digital não tem o mesmo rigor da enciclopédia em papel, os dicionários digitais também não (...) Utilizamos poucas palavras. E sendo mais curto o léxico, também é mais curto o pensamento. É que quando se usam bengalas e lugares-comuns não se pensa pela própria cabeça (...) Não está tudo na net".

Manuel Matos Monteiro, citado em texto de Nuno Pacheco, Público, "Utilizamos poucas palavras. E sendo mais curto o léxico, também é mais curto o pensamento", 18-10-2018, p.29

P.S.: o autor recorda, ainda, algumas aberrações do Acordo Ortográfico, que, no seu entender, não tem reforma possível: "co-réu" transforma-se em "corréu".

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