quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Humanos e outros animais


Uma colega de Filosofia contava-me, há dias, que enquanto há 20 anos, no teste do trolley - de repente, a 100 metros, está um homem em cima da linha em que seguimos, não dá tempo para pararmos, a única alternativa é desviarmos o volante para a linha do lado, ainda que com isso coloquemos fim à vida de 10 animais -, os estudantes (adolescentes, do Secundário) respondiam, sem hesitações, que poupariam a vida do humano, hoje, as respostas são "ela por ela, 50/50" - ou, pelo menos, os meninos perguntam de que animais se trata (e, consoante a resposta, optam). 
Procuro também testar junto de adolescentes de 15/16 anos, a amostra não é demasiado ampla, mas os resultados, de facto, são idênticos. 

Uma cultura que, no fundo, perdeu a noção do fundamento mais forte da dignidade da pessoa (no qual se alavancava a dignidade da pessoa). Uma cultura que não sabe, e ou não crê nesse "criado à imagem e semelhança de Deus". Uma cultura e uma comunidade onde não se tornou óbvio o valor de cada humano único e irrepetível. Uma sociedade que considera talvez mesmo que afirmar esse valor é um modo de antropocentrismo obsoleto.
Ou, ainda, nos termos mais corrosivos de um Houellebecq, o Homem revoltado contra si próprio (e mais do que a elevação dos animais a humanos, não menos que a transformação dos humanos em animais).

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