Arlindo Oliveira elenca e procura responder, em Mentes Digitais, aos argumentos, historicamente invocados, para rejeitar a possibilidade de se considerar os computadores como inteligentes (p.83):
1) "A objecção Teológica afirma que o pensamento é um resultado da alma imortal do homem e não pode, portanto, ser simulado por uma máquina. Baseia-se no pressuposto de que os seres humanos são únicos no universo e são as únicas criaturas que têm alma. (...) Baseia [-se] na dualidade da mente e do corpo";
2) "A objecção da Informalidade do Comportamento baseia-se na ideia de que não existe nenhum conjunto de regras que descreva o que um ser humano fará em todas as circunstâncias possíveis, o que implica que o comportamento humano nunca poderá ser simulado por um computador. De certa forma, este argumento equivale à ideia de que a inteligência humana é não-algorítmica";
3) "Uma outra objecção afirma que as consequências de uma máquina pensante seriam tão atrozes que nunca surgirá nenhuma, presumivelmente porque a humanidade evitará desenvolvê-la. Mas a humanidade não parece ter conseguido desviar-se de nenhuma tecnologia com o fim de evitar os riscos que ela apresenta";
4) "Duas objecções baseiam-se no argumento de que o cérebro não é equivalente a uma máquina de Turing, ou porque pode (de uma maneira não especificada) calcular funções não computáveis, ou porque a inerente capacidade das células cerebrais para trabalharem com sinais de valor real lhes confere um poder adicional";
5) "Outra objecção (...) baseia-se no argumento de que os computadores seguem necessariamente regras fixas e são, portanto, incapazes de originalidade, fazendo com que o comportamento deles conduza sempre a resultados previsíveis. Esta objecção ignora o facto de que os sistemas muito complexos, mesmo se completamente definidos por regras fixas, têm comportamentos totalmente imprevisíveis, como bem sabem os engenheiros e os cientistas modernos";
6) "Uma outra objecção baseia-se na ideia de que os seres humanos dispõem de percepção extrassensorial, que não pode ser emulada por uma máquina. Como a percepção extrassensorial nunca foi observada em condições controladas, esta objecção tem pouco peso";
7) "Uma última objecção filosófica, que poderá ser mais profunda do que as outras , defende que a inteligência só pode ter origem na consciência, e que uma máquina que manipule símbolos nunca poderá ser consciente. O argumento de que um computador nunca poderá exibir inteligência através da manipulação de símbolos foi apresentado muito mais tarde (...) na experiência conceptual da Sala Chinesa de John Searle (1980)".
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